A seleção brasileira de Futebol de 5, modalidade paralímpica para atletas com deficiência visual, está preocupada com os casos de coronavírus que já mataram mais de 1000 pessoas na Ásia. Isso porque os atletas têm um torneio programado em Shinagawa (Japão) entre os dias 16 e 21 de março, e o país já registrou casos da doença.

A competição é preparatória para a Paralimpíada de 2020, que será em Tóquio e ocorre entre 25 de agosto e 6 de setembro. O próprio comitê organizador do evento já manifestou preocupação com o avanço da doença.

A delegação para Shinagawa, que terá 10 atletas e mais a comissão técnica, reuniu-se semana passada no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, para uma fase de treinamentos, a primeira de 2020. A próxima etapa será em março, uma semana antes da viagem. Até lá, a comissão técnica espera ter mais clara a situação do país asiático, que, apesar de não ter registrado óbito por coronavírus, está com um navio de cruzeiro em quarentena atracado no porto de Yokohama com 135 casos confirmados do vírus. Segundo o técnico Fabio Vasconcelos:

Sei que é uma competição muito importante, mas ela está no mesmo continente [Ásia] da China. Há esse risco mundial. O pessoal [da CBDV, sigla para Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais] está alerta. Se por acaso existir algo que atrapalhe o grupo, que ameace nossa integridade, com certeza não vamos. Estamos em contato com a organização, praticamente todos os dias trocando e-mails. E estamos fazendo o nosso trabalho. Espero que isso se resolva e possamos estar lá.

Os atletas da seleção tetracampeã paralímpica também acompanham os desdobramentos, com um misto de ansiedade e otimismo. O ala Tiago Paraná afirmou:

Infelizmente, teve caso confirmado [de morte] fora já. Mas, vamos pedir a Deus e torcer que nos livre de todo esse perigo.

O atleta Maurício Dumbo também se manifestou:

Estamos sempre acompanhando essa questão do coronavírus, mas sabemos que no Japão ainda está controlado.

Seleção Brasileira de Futebol de Cegos (Foto: divulgação)

Prevenção

No último domingo (9), a Federação Internacional de Badminton (BWF, sigla em inglês) anunciou, em comunicado, a transferência de um torneio internacional da versão paralímpica da modalidade, que começou nesta segunda, do CT Paralímpico para o Ginásio do Ibirapuera, também em São Paulo. No texto, a BWF informou que a mudança é relacionada a “medidas protetivas” que o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) estabeleceu para o CT, considerando o volume de atletas de outras modalidades e demais profissionais que também utilizam a instalação.

O torneio reúne 220 atletas de 38 países, entre eles 16 (incluindo a China) em que já houve algum caso constatado do vírus. Segundo o comunicado da Federação Internacional, “se um único caso de coronavírus for confirmado durante o campeonato, o CT inteiro teria que ser posto em quarentena”. A nota destaca, por fim, que a Confederação Brasileira de Badminton (CBBd) deixa claro “que isso [alteração] não está conectada à detecção de nenhum caso” da doença e que “atenderá às recomendações das autoridades de saúde do país”.

No Brasil, não houve confirmação de nenhuma infecção por coronavírus. Segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde divulgado na última sexta (7), de 34 casos considerados suspeitos, 26 já foram descartados e os demais permanecem em investigação. No sábado uma mulher foi presa na zona sul do Rio de Janeiro por simular sintomas da doença.

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