Seguindo o exemplo do Sicredi, a empresa Eletromóveis Martinello anunciou em suas redes sociais que pediu a retirada de seu logotipo do uniforme Operário de Várzea Grande. O clube, que estreou no campeonato Campeonato Mato-Grossense na última terça-feira (21), vencendo o Poconé, está em negociação para a contratação do goleiro Bruno, condenado pelo sequestro e homicídio da ex-esposa dele, Eliza Samúdio, em 2010.

A Martinello, que também é patrocinadora do Campeonato Mato-Grossense, afirmou que não é seu papel intervir em decisões administrativas das equipes participantes, porém:

Não permitiremos, ainda que por força de medidas judiciais, que a equipe OPERÁRIO FUTEBOL CLUBE seja vinculada à nossa empresa utilizando uniformes que contenham a nossa marca ou que conceda entrevistas em frente ao painel com a nossa marca, enquanto mantiver a decisão de integrar ao seu quadro o ex-atleta em questão.

A empresa também afirmou que:

Embora seja lícito que o ex-atleta tenha pretensões de voltar ao trabalho e se reintegrar à sociedade, não concordamos que condenado por crime tão grave e torpe seja elevado ao patamar de ídolo esportivo, pois o esporte é para cidadãos exemplares que cultivam a vida, o respeito ao próximo e o espírito de equipe.

A assinatura do contrato com o goleiro Bruno depende da liberação da Justiça de Mato Grosso, mas tanto o Ministério Público quanto a Justiça de Minas Gerais já autorizaram o acordo e o cumprimento da pena na cidade mato-grossense. Bruno foi condenado a 20 anos e 9 meses de prisão em 2013, mas obteve a progressão de pena ao regime semiaberto em julho do ano passado.

O goleiro Bruno Fernandes em partida pelo Boa Esporte (foto: Uarlen Valerio)

Confira abaixo, na íntegra, a nota divulgada no perfil da empresa no facebook:

A Eletromóveis Martinello, copatrocinadora do Campeonato Mato-grossense de Futebol de 2020, em função das notícias recentemente veiculadas sobre a possível participação no campeonato do “Goleiro Bruno”, condenado em 2013 por homicídio triplamente qualificado, vem a público esclarecer o seguinte:

É louvável que a comunidade proporcione nova chance a reeducandos. Nesse caso, porém, não se pode deixar de considerar a extrema gravidade do crime de feminicídio que ainda hoje choca e comove todo o país.

Embora seja lícito que o ex-atleta tenha pretensões de voltar ao trabalho e se reintegrar à sociedade, não concordamos que condenado por crime tão grave e torpe seja elevado ao patamar de ídolo esportivo, pois o esporte é para cidadãos exemplares que cultivam a vida, o respeito ao próximo e o espírito de equipe.

Não é nosso papel ou direito intervir nas decisões administrativas das equipes participantes do campeonato, mas não permitiremos, ainda que por força de medidas judiciais, que a equipe OPERÁRIO FUTEBOL CLUBE seja vinculada à nossa empresa utilizando uniformes que contenham a nossa marca ou que conceda entrevistas em frente ao painel com a nossa marca, enquanto mantiver a decisão de integrar ao seu quadro o ex-atleta em questão.

Em nossos 30 anos de história atuamos com convicção e vigor no incentivo ao esporte profissional e amador, patrocinando, apoiando e investindo em milhares de eventos em todos os 54 municípios mato-grossenses onde atuamos.

Em nossa empresa promovemos a igualdade de direitos e de oportunidades entre homens e mulheres.

Seguiremos acreditando e investindo nos valores essenciais do esporte, cumprindo o nosso papel social de incentivar o desenvolvimento humano através das práticas esportivas.

Acima disso, seguiremos combatendo as injustiças e lutando pelo respeito e os direitos das mulheres.

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