No ano de 2018 o físico norte-americano Paul Romer foi laureado com o Nobel de Economia. O pesquisador desenvolveu no inicio da década de 80 uma explicação mais completa sobre os determinantes do crescimento econômico de um país no longo prazo. Até a década de 70 o consenso era que o crescimento econômico dependia exclusivamente de maciços investimentos em capital físico. Romer iria mudar completamente esse entendimento nas próximas décadas, mas antes disso vamos voltar ao Brasil naquele período.

Quando olhamos para o Brasil nesse período entendemos qual era a lógica do II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) e da série das grandes obras de infraestrutura como Itaipu, a rodovia Transamazônica e a ocupação da região Centro-Oeste. A lógica era simples: aumentar os investimentos do estado e da iniciativa privada iriam fornecer as bases sólidas para um crescimento mais robustos das próximas gerações. Nesse processo ocorreu a ocupação da região Norte Mato-grossense através do processo de colonização com forte incentivo estatal. As tentativas de fixar os colonizadores dependiam do desenvolvimento de uma atividade econômica que possibilitasse a manutenção das novas cidades.

Muitos grupos de colonizadores sucumbiram nas tentativas de encontrar uma atividade econômica de referência ao longo de várias tentativas: mandioca, café, álcool e mineração. A realidade não se encaixava com a teoria. Não bastava apenas investir em infraestrutura para conseguir um crescimento constante e certeiro. Isso também foi percebido pelo pesquisador americano. Romer introduziu a importância do desenvolvimento tecnológico para explicar como regiões pobres se tornaram ricas em menos de duas gerações. Ele argumentava que pessoas que encontravam restrições naturais e financeiras conseguiam desenvolver novas tecnologias para desenvolver atividades econômicas inexistentes na localidade.

Isso ajuda a entender como uma região com solo pobre em nutrientes, clima inapropriado para agricultura, péssima infraestrutura logística e sem cultivares adequadas na década de 70 se tornou a referência em produção agrícola 40 anos depois. Romer demonstrou que mais importante do que investir em infraestrutura era investir em pessoas que pudessem criar novas técnicas produtivas. Quando se observa o perfil dos colonos que chegaram na região nas últimas décadas é fácil identificar o perfil empreendedor dos que se arriscaram desbravando o Centro-Oeste. As crises econômicas do programa proalcool, da mineração e da madeira geraram a resiliência necessária para que essas pessoas buscassem alternativas econômicas e mantivessem a tendência de crescimento.

A região atualmente passa por um processo de consolidação do setor de serviços e de agro-industrialização. Temos aqui uma combinação favorável para o desenvolvimento econômico: um perfil de pessoas empreendedoras, um polo de formação educacional e técnica, centros de pesquisa e atividades econômicas com vantagens comparativas. Todos esses fatores dependem da qualidade do capital humano que uma região possui. Depois de Romer é consenso que o principal ativo de uma região é o capital humano (pessoas) que ela possui. Boas políticas são aquelas que atraem e fixam pessoas transformam dificuldades em novas oportunidades.

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