No final da década passada o Brasil era o queridinho dos analistas econômicos e um dos portos mais desejados para o desembarque de vultosos projetos de investimento estrangeiro. A escolha do Brasil como sede das Olimpíadas e da Copa do mundo eram uma coroação de um período de bonança que não parecia ter fim. A entrada nos BRICS, o crescimento econômico e a recuperação da autoestima eram consequências de uma série de reformas econômicas realizadas nos anos anteriores, que modernizaram a nossa economia.

A abertura econômica, o plano Real, a lei de responsabilidade fiscal, a modernização do sistema bancário, a adoção do sistema de metas de inflação pelo banco central foram alguns dos novos instrumentos econômicos e fiscais que possibilitaram o rápido crescimento dos anos subsequentes. Soma-se a isso a adoção de politicas públicas de inclusão social e expansão da classe média. O script era perfeito para uma economia emergente, mas em 2008 veio a crise econômica global. Para sobreviver a “marolinha” gerada pela crise, o governo brasileiro adotou uma série de medidas anticíclicas para estimular a economia em um momento de recessão econômica. Em 2009 o PIB brasileiro cresceu perto de “zero”, mas as politicas anticíclicas, baseadas no estímulo ao consumo, já surtiram efeito no ano de 2010, quando o crescimento do PIB atingiu o patamar de 7%.

Estimular o consumo pode ser uma das soluções possíveis para situações de crise, mas o uso desse ferramenta cobra um preço: o aumento do endividamento do estado e a expansão do consumo em detrimento do investimento. Reduzir o investimento a perda da capacidade produtivo no futuro. Os economistas chamam essa troca de escolha intertemporal. Nosso formuladores de politica perceberam que a expansão de gastos trazia benesses no curto prazo: popularidade, expansão do consumo e o ufanismo. Os custos envolvidos eram apenas detalhes, que podiam ser deixados de lado.

No final do governo Lula 2 e no governo Dilma ficou claro a preferência do governo pelas politicas ativas do estado para estimular atividades econômicas de segmentos “estratégicos”. Esse conjunto de politicas foi chamado de “novo desenvolvimentismo”. O uso constante de politicas anticíclicas gera um vicio no governante, mas como todo vicio o uso constante do estimulante gera danos difíceis de serem reparados.

O primeiro sinal do início da fadiga dessa política foi descontrole das contas públicas. Saímos de um superávit primário (receitas menos despesas) de 2,9% do PIB em 2011 para um déficit primário de -2,5 em 2016. A endividando público disparou saindo de 51,3% do PIB em 2011 para 70% em 2016. Entretanto a consequência mais nefasta foi a redução da capacidade de investimentos do país, pois isso levou a uma retração do PIB fazendo que o Brasil entrasse em uma recessão logo após 2014. Só para ter uma ideia o PIB brasileiro recuou 3,5% por dois anos seguidos (2015 e 2016) e no ano passado tivemos um crescimento pífio de 1%.

Chegamos nessa situação devido a uma séria de politicas adotadas, que levaram a deterioração das contas públicas, a distorção de incentivos na atividade econômica e na perda da capacidade de investimento do pais. Caímos no vicio do populismo econômico, que nosso começo causa euforia, mas depois mergulha o pais na recessão. Assim como um viciado temos que redobrar o cuidado para não cair em tentação mais uma vez. As soluções fáceis sempre são as mais tentadoras, mas também são as mais efêmeras.

Nos resta agora recuperar a capacidade de encarar os problemas reais e cobrar dos nosso representantes a adoção de politicas que possibilitem o Brasil expurgar todas as travas que paralisaram o pais. Uma simplificação tributária, a redução da burocracia e um ajuste fiscal que tire a União e os estados da condição de insolvência já seriam um bom começo.

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