A região norte do Mato Grosso é uma região rica. Aqui temos uma combinação perfeita entre pessoas com boa condição financeira, mas ao mesmo tempo com pouco conhecimento sobre fundamentos básicos de finanças. Os investidores locais observaram prioritariamente os retornos das opostas, mas desconsideram o risco assumido. Esse é um dos principais motivos para que de tempos em tempos surja alguma nova “pirâmide financeira” fazendo novas vitimas na região.

Antes disso é bom explicar a origem do famoso golpe financeiro.  Um ícone desse tipo de golpe foi Charles Ponzi, um ítalo-americano que chegou aos Estados Unidos no inicio do século passado. Ponzi descobriu uma grande oportunidade de ganhar dinheiro comercializando selos. Ele afirmava que comprava selos no exterior e vendia nos EUA com um lucro muito alto. A oportunidade de ganhar dinheiro se espalhou em Nova York e muitas pessoas começaram a financiar o negócio de Ponzi. Ele prometia rendimentos de até 100% em três meses. Não faltavam investidores querendo entrar nesse negócio lucrativo, entretanto Ponzi não comprou selos com o dinheiro recebido. Ele pagava os antigos investidores com o capital dos sucessivos novos investidores.

No começo do “esquema” ele convencia pessoas mais próximas a “investir” no seu negócio, sempre oferecendo um retorno de 50% em 45 dias. Os primeiros investidores conseguiram a rentabilidade prometida de acordo com o combinado. O esquema cresceu de forma muita rápida e acabou expandindo para outras cidades próximas. O negócio virou uma “febre” e muitas pessoas utilizaram suas economias ou se endividaram para não perder a oportunidade.

Anos mais tarde o “sucesso” de Ponzi chamou a atenção do governo e da imprensa e sua credibilidade foi contestada, o que levou parte dos seus clientes a solicitar os saques dos investimentos e expor a fragilidade do esquema. Ponzi foi preso e depois de sair da cadeia tentou refazer seu “negócio”, mas acabou naufragando novamente.

Esse tipo de golpe financeiro foi repetido centenas de vezes nas últimas décadas em diversos países. Aqui no Brasil um dos casos mais conhecido foi o da “Fazendas Reunidas Boi Gordo”, que gerou um prejuízo de R$ 3,9 bilhões para aproximadamente 30 mil investidores. Eles foram convencidos pela oportunidade de embolsar um lucro mínimo de 42% no prazo de um ano e meio. A promessa de ganho rápido se assentava na engorda de bois e criação de bezerros, mas os lucros repassados eram pagos principalmente pela entrada de novos investidores no esquema.

Agora a maior e mais famosa pirâmide financeira a atingir o Mato Grosso e o Brasil foi construído pela empresa TELEXFREE. A fraude atingiu mais de 2 milhões de pessoas e deixou o prejuízo para os investidores que acreditaram em investimento rápido e muito acima do mercado a ser obtido na comercialização de um software de VOIP.

O Mato Grosso reúne duas características que atraem esse tipo de golpista, pessoas capitalizadas e leigas em finanças. Junta-se a isso um período de dificuldades na economia que tornam as pessoas mais sugestionáveis a “oportunidades” imperdíveis. Algumas empresas estão oferecendo na região investimentos que apresentam as características de  ativos de riscos (bitcoin, câmbio, FOREX) sem deixar claro isso para seus clientes. É importante para futuros investidores seguir algumas regras básicas para evitar expor seu patrimônio financeiro a situações não desejadas, além de evitar ser vitima de uma fraude.

Listo abaixo algumas regras que podem evitar muita dor de cabeça:

  • Desconfiar de oferta de investimento com retorno prometido muito acima dos oferecidos no mercado financeiro;
  • Pesquisar se a empresa que oferece o serviço tem registro em órgãos reguladores, como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM);
  • Pesquisar o nome da empresa na internet para verificar a reputação, problemas e legalidade do negócio;
  • Não confiar apenas em contratos registrados em cartórios como fonte de segurança; e
  • Qualquer dúvida entrar em contato com a CVM http://www.cvm.gov.br ou Banco Central https://www.bcb.gov.br.

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