O presidente Jair Bolsonaro voltou a rebater as críticas de líderes europeus quanto a política ambiental do Brasil. Em evento com representantes da Frente Parlamentar Agropecuária, em Brasília na última quinta-feira (4), ele disse que representantes desses países não têm autoridade para discutir essa questão, mencionando o presidente da França, Emmanuel Macron, e à chanceler alemã, Angela Merkel.

Convidei ele (Macron), e a Angela Merkel para sobrevoar a Amazônia e, se encontrasse, entre Boa Vista e Manaus, um quilômetro quadrado de desmatamento, eu concordaria com eles. Eles não têm autoridade para discutir conosco essa questão.

A gestão ambiental do Brasil foi alvo de críticas durante o recente encontro do G20, em Osaka, no Japão, e um dos assuntos em pauta na conclusão das negociações do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, na semana passada, em Bruxelas, na Bélgica. O próprio presidente francês chegou a dizer que não haveria acordo se o Brasil se retirasse do Acordo de Paris, como chegou a sinalizar o governo brasileiro anteriormente.

Nesta quinta-feira, em Brasília, Bolsonaro disse que a imagem negativa que o meio ambiente do Brasil tem no exterior contou com a conivência de chefes de estado anteriores a ele. E acrescentou que o Brasil tem quase tudo para cumprir suas metas no Acordo do Clima de Paris enquanto a Alemanha não conseguirá cumprir seu compromisso, por exemplo, em relação aos combustíveis fósseis.

O presidente também fez ressalvas à atuação dos representantes do agronegócio e se referiu ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles:

Os problemas que temos hoje, com todo respeito a vocês – eu participei disso e estava ao lado de vocês – foram questões que foram deixando acontecer. Temos um ministro do meio ambiente casado com vocês. Tivemos o bom senso de escolher um ministro do meio ambiente que casa o meio ambiente com o desenvolvimento. Todos nós ganhamos com isso.

O presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB-RS), afirmou que as críticas à questão ambiental no Brasil estão ligadas à competição no mercado global e que são iniciativas lideradas por países concorrentes para inibir a capacidade produtiva e competitividade brasileira. Ele também negou que o agronegócio compactue com desmatamento ilegal:

Lá fora, tentam transformar o Brasil em um país de vira-latas, destruir a nossa imagem e reduzir os preços dos nossos produtos. Internamente, agem na questão ambiental, nas demarcações de terras indígenas, quilombolas, na questão sanitária, por todos os lados.

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