Eis o retrato do Brasil, visto do exterior hoje, para nosso maior vexame:

“A credibilidade do congresso do Brasil foi deixada em trapos depois que sua casa baixa votou esmagadoramente para não aprovar acusações de corrupção contra o presidente, Michel Temer – mesmo que 81% de seus compatriotas dissessem em uma pesquisa recente que eles deveriam”

(Jornal britânico The Guardian – 03/08/17)

É uma pena que se chegue a um ponto que os franceses chamam de “cul-de-sac”, que é algo como “beco sem saída”, mas num sentido mais amplo, que compreende as mais diversas situações da vida. Para nós, é o “sair do espeto e cair na brasa”. Acho mais congruente com nosso dilema esse termo chulo de churrasquinho do que algo que venha da terra de Bonaparte.

É aí que quero chegar: dá pra resolver, ou “daria para ter resolvido” o nosso próprio dilema com “finesse” (mais uma vez um termo emprestado do francês)? A resposta é não.

Querer diretas é nos direcionarmos diretamente a um advento de hegemonia Lulista. Por outro lado, querer Temer é conivência e convivência com a “corrugação da cruz” de nosso governante. Aquele famoso hino do Cantor Cristão, o “Eu Amo a Mensagem da Cruz”, vem da tradução de “Old Rugged Cross”, que é uma “velha e corrugada cruz”. A diferença é que Jesus era a máxima antítese à rugosidade à qual foi pregado. Já Temer e sua cruz se confundem na questão de aspereza.

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Outro detalhe: o martírio de Michel é para salvar a si mesmo. Política de Salvação Pessoal. Eu jamais queria voltar a fazer joguetes com essa política que ele apresentou em seu Dia Um, porque eu piamente acreditei num Brasil mais endireitado do que algo que precisaria de diretas.

Eu usei o termo “corrugação” só pra evitar mencionar a palavra “corrupção”. Quero romper, junto com você, cada um puxando de um lado:

quero co-romper

a palavra ‘corrupção’ contigo,

com se fizéssemos um cabo de guerra com o simples objetivo de romper a corda.

“Temer é uma oportunidade perdida, em exercício”. Isso quer dizer que não importa o que Michel fizer até o final de 2018, ele continuará sendo uma oportunidade perdida. Já pensou se ele jamais tivesse recebido Joesley em seu recinto? Hoje, com a orquestral regência orçamentária de Meirelles, ele já teria conquistado o mais cético dos brasileiros.

Já nos cansamos de males necessários. De anti-heróis. De Macunaímas. De Dons Quixotes de La Mancha. Sim, de manchas. Como nós somos o “vós” do Brasil para o presidente, que diz “Vós sois…”, queremos caras que sejam “voz” para o povo—povo que os chamaria de sóis, desta forma: “Vós  voz-&-sóis  sois  iluminação de iluminura & Iluminismo: de sabedoria & conhecimento, para nós”.

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